152%

alta nas queixas por contas de WhatsApp bloqueadas de janeiro a agosto, ante 2025 [1]

1.286

queixas só nos 11 primeiros dias de setembro [1]

72 h

antes do pleito, fica vedado publicar conteúdo sintético novo com voz ou imagem de candidato [2]

CURITIBA — A quatro dias do primeiro turno, marcado para domingo (4), quem depende de mensagens para falar com o eleitor enfrenta o momento mais restritivo da campanha. Números de WhatsApp caem em sequência, denúncias chegam às plataformas pela Justiça Eleitoral e até o SMS virou alvo de investigação. Nesse cenário, fornecedores e equipes de campanha passaram a olhar para a telefonia com inteligência artificial como rota de escape.

Bloqueios batem recorde

Dados do Reclame Aqui, publicados pelo Extra e confirmados pelo Tecnoblog, apontam 9.978 reclamações sobre contas de WhatsApp bloqueadas, banidas ou suspensas entre janeiro e agosto, contra 3.953 no mesmo período de 2025. O volume subiu mês a mês durante a campanha, e relatos falam em bloqueios sem explicação e difíceis de reverter. [1]

Por trás da curva está um ambiente mais vigiado. O plano que a Meta entregou ao TSE, divulgado em 7 de setembro, proíbe anúncios políticos no WhatsApp, cria canais locais de denúncia e considera a regra que responsabiliza plataformas que não removerem de imediato certos conteúdos e contas. [3] Desde julho, um memorando entre o tribunal e a empresa permite que contas suspeitas de disparo em massa sejam encaminhadas diretamente à plataforma. [4][5]

Fora do WhatsApp, o cerco também aparece. Em Mato Grosso, o Ministério Público Eleitoral apura o envio de SMS com pedido de voto denunciados pelo aplicativo Pardal. [6]

A pergunta que separa o permitido do proibido é simples: quem iniciou a ligação?

A virada para a voz

Com a mensageria travada, a telefonia ganhou espaço nas conversas de campanha, em especial as centrais com atendimento por inteligência artificial, que respondem a milhares de chamadas ao mesmo tempo, a qualquer hora, sem depender da Meta.

O caminho viável é a central receptiva: a campanha divulga um número em santinhos, redes sociais, propaganda de rádio e TV ou em listas de transmissão consentidas, e o eleitor liga quando quiser. A IA atende, apresenta propostas, informa agenda e orienta sobre local de votação. Como é o eleitor quem procura o canal, a operação não depende de disparo e não esbarra nos bloqueios de mensageria.

Onde a lei fecha a porta

A ligação ativa é outra história. A resolução do TSE veda a propaganda por telemarketing em qualquer horário, em regra separada da que trata de mensagens. [7] Reportagem publicada nesta semana lembra que a proibição alcança ligações iniciadas pela própria candidatura ou por contratados e foi mantida para 2026. [8] Ou seja: ter a base autorizada resolve a questão do disparo de mensagens, mas não autoriza a campanha a ligar pedindo voto.

A IA também tem limites próprios. Desde março, a Resolução 23.755 exige aviso explícito sempre que a propaganda usar conteúdo sintético. [2] Robôs e avatares podem intermediar a comunicação da campanha, mas não podem simular conversa com o candidato ou com outra pessoa real. [9] E, nas 72 horas antes do pleito e nas 24 horas depois, fica proibido publicar conteúdo sintético novo com voz ou imagem de candidato. [2][10]

O que fazer até domingo

Para quem perdeu números nesta semana, a avaliação no setor é que insistir no mesmo volume de disparos só amplia o prejuízo: recursos correm no prazo da plataforma e qualquer eleitor pode denunciar. A recomendação é migrar a energia para canais que o eleitor aciona por conta própria.