alta nas queixas por contas de WhatsApp bloqueadas, jan.–ago. 2026 vs. 2025 (Reclame Aqui)
reclamações sobre bloqueio, banimento ou suspensão em oito meses
primeiro turno; eventual segundo turno em 25 de outubro
prazo para atender pedido de descadastro de eleitor, segundo o TSE
ELEIÇÕES 2026 — A semana que antecede o primeiro turno das Eleições 2026, marcado para domingo (4), concentra a fase mais rígida de fiscalização sobre o envio de mensagens políticas no país. Contas de WhatsApp usadas para disparo em escala vêm sendo derrubadas pelos sistemas automáticos da Meta e por denúncias que chegam à plataforma via Justiça Eleitoral. Em paralelo, envios de SMS com pedido de voto já são alvo do Ministério Público Eleitoral.
Empresas de mensageria relatam aumento expressivo de bloqueios nos últimos dias. O Grupo JAP Tecnologia & Inovação, que atende campanhas, afirma ter registrado a alta na operação de seus clientes e avalia que o movimento não decorre de falha técnica, mas da combinação de regras eleitorais, políticas da plataforma e do calendário apertado.
Banimentos em alta
Levantamento do Reclame Aqui, divulgado pelo jornal Extra e confirmado pelo Tecnoblog em 23 de setembro, mostra que as reclamações sobre contas de WhatsApp bloqueadas, banidas ou suspensas subiram 152% entre janeiro e agosto de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025. Foram 9.978 queixas, ante 3.953 no ano anterior. [1]
A curva se acentuou com a campanha: 2.132 reclamações em julho, 2.802 em agosto e 1.286 apenas nos primeiros 11 dias de setembro. Os oito meses de 2026 já superam as 7.457 queixas de todo o ano passado. Muitos relatos citam bloqueios sem explicação, recorrentes e difíceis de reverter, com impacto maior para quem usa o aplicativo profissionalmente. [1]
No início de agosto, uma falha desconectou milhares de contas ao mesmo tempo, e a Meta reconheceu publicamente que seus sistemas podem errar. [1]
Banimento no WhatsApp é decisão da plataforma, com base em seus Termos de Serviço — e não depende de ordem judicial.
O plano da Meta
Em 7 de setembro, o TSE divulgou o plano de conformidade apresentado pela Meta para o pleito. O documento aponta cinco áreas críticas — discurso hostil, desinformação, ameaças adversárias, riscos cívicos e discurso violento — e prevê proibição de anúncios políticos no WhatsApp, canais locais de denúncia e cumprimento de ordens judiciais. [2]
O plano também considera o artigo 9º-E da resolução do TSE, pelo qual plataformas podem responder de forma solidária se não tornarem imediatamente indisponíveis certos conteúdos e contas durante o período eleitoral. Na prática, isso estimula a remoção rápida. [2]
Em comunicado de junho, a Meta informou que ativaria, como faz desde 2018, seu Centro de Operações para Eleições no Brasil, e lembrou que o WhatsApp limita o encaminhamento de mensagens para conter a viralidade. [3]
Canal direto com o TSE
O memorando entre TSE e Meta, que cobre Facebook, Instagram, Threads e WhatsApp, vale de 17 de julho a 31 de dezembro de 2026. [4] Pelo acordo, a plataforma recebe denúncias de contas suspeitas de disparo em massa de conteúdo eleitoral. [5] O tribunal faz a triagem e encaminha os casos, e a empresa aplica sanções conforme suas políticas. [6]
Reportagem da Agência Pública mostrou que o memorando com a Meta não prevê punição por descumprimento; a empresa o descreve como cooperação voluntária que vai além das obrigações legais. [7] Ainda assim, ordens judiciais seguem sendo executadas: nesta semana, a Meta tornou indisponíveis perfis em Rondônia após decisão da Justiça Eleitoral. [8]
O histórico ajuda a dimensionar o efeito. Em 2020, o WhatsApp baniu 1.004 contas denunciadas por disparo em massa, e mais de 63% delas já haviam sido derrubadas automaticamente antes da denúncia. [9]
O que diz a regra
A propaganda de 2026 segue a Resolução TSE nº 23.610/2019, atualizada em março pela Resolução nº 23.755. [10] O disparo em massa de mensagens instantâneas sem consentimento é vedado, assim como o uso de automação fora das ferramentas autorizadas pelo próprio WhatsApp. [11]
Mensagens por WhatsApp, SMS ou e-mail exigem consentimento prévio e mecanismo de descadastro atendido em até 48 horas. [12] O disparo irregular pode ser enquadrado como abuso de poder econômico, com risco de cassação do registro e inelegibilidade. [13]
A minirreforma aprovada pela Câmara, que abriria espaço para envios automatizados a partir de números oficiais, ainda depende do Senado e de sanção, e especialistas apontam que não valeria para 2026 pelo princípio da anualidade. [11][14]
SMS e RCS também na mira
SMS e RCS não dependem da Meta, mas estão sujeitos à mesma resolução e aos filtros das operadoras. Em Mato Grosso, o Ministério Público Eleitoral abriu apuração sobre SMS com pedido de voto denunciados pelo aplicativo Pardal, com base nos artigos 33 e 34 da norma. [15]
O Pardal, que lista o disparo sem consentimento entre as condutas denunciáveis, recebeu mais de mil denúncias nos três primeiros dias de propaganda. [16]
Pouco a fazer no curto prazo
Recursos contra banimento correm no prazo da plataforma, denúncias podem partir de qualquer eleitor ou adversário e não há tempo para aquecer novos números antes de domingo. Trocar de chip e manter o mesmo volume tende a gerar novos bloqueios e eleva o risco jurídico do candidato.

